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Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
Comissão Coordenadora do Programa Ano 2000
Relatório de Atividades
A Comissão Coordenadora do Programa A2000
foi criada pelo Decreto de 5 de março de 1999 e recentemente reorganizada pelo Decreto de
8 de outubro de 1999 com o objetivo de acompanhar o processo de conclusão das
adaptações dos sistemas informatizados e dos equipamentos eletrônicos digitais para o
correto registro temporal, a partir do ano 2000. Dentre suas competências estão:
- A coordenação das ações do Governo Federal. Para a
realização desta atribuição, a Comissão Coordenadora promoveu a coleta informações
pelo Sistema de Acompanhamento das Adaptações do Ano 2000;
- A articulação com os demais Poderes da União, os estados
e municípios, o setor privado, e governos estrangeiros e organizações multilaterais;
- O acompanhamento da elaboração e a execução de planos de
contingência conforme estabelecido pelos Decretos supra citados, bem como pelo Decreto de
27.07.1999; e
- A elaboração e implementação da campanha de orientação
e esclarecimento a população "Alertar sem Alarmar".
A Comissão Coordenadora tem a seguinte
composição:
I - do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior;
II - do Ministério da Ciência e Tecnologia;
III - da Casa Civil da Presidência da República;
IV - do Ministério da Defesa;
V - do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
Secretaria Executiva da Comissão Coordenadora; e
VI - da Secretaria de Estado de Comunicação de Governo da
Presidência da República.
O Programa Ano 2000 do Governo Federal
determina fases e prazos para cumprimento das seguintes etapas:
- elaboração de inventário de sistemas informatizados e
equipamentos software e hardware até 30.08.1998 concluído em todos os
órgãos, entidades e empresas federais;
- elaboração dos projetos de adequação ou substituição
até 30.09.1998 concluído em todos os órgãos, entidades e empresas federais;
- implementação dos projetos de adequação dos sistemas
informatizados hardware e software até 30.01.1999 concluído em 97% órgãos,
entidades e empresas federais. Os órgãos que estavam em fase de conclusão dos projetos
de adequação em dezembro de 1999 eram o Ministério da Agricultura e Abastecimento e a
Fundação Nacional do Índio-FUNAI do Ministério da Justiça;
- elaboração de inventário de equipamentos eletrônicos
não vinculados aos sistemas informatizados que contenham processadores internos
controladores de processos indexados ao parâmetro cronológico denominada tecnologia
embarcada ou sistemas embutidos até 30.04.1999 concluído em todos os órgãos,
entidades e empresas federais;
- implementação dos projetos de adequação ou
substituição dos equipamentos contendo sistemas embutidos até 30.05.1999 concluído
em grande parte dos órgãos, entidades e empresas federais. O principal problema
reportado antes do período crítico foi a falta de cooperação de alguns fornecedores em
prestar as informações de adequação para conclusão dos projetos;
- realização de testes e homologação/certificação das
soluções de adequação ou substituição dos sistemas informatizados hardware e
software até 30.06.1999 concluído em 97% órgãos, entidades e empresas
federais. Os órgãos que não concluíram os projetos de adequação antes do período
crítico foram o Ministério da Agricultura e Abastecimento e a Fundação Nacional do
Índio-FUNAI do Ministério da Justiça;
- elaboração de planos de contingência individuais dos
órgãos ou entidades da administração pública federal e setoriais, nos setores
regulados ou supervisionados por agências federais até 15.09.1999 85% dos
órgãos, entidades e empresas cujos processos eram considerados críticos apresentaram
seus planos de contingência;
- elaboração e submissão do Plano Nacional de
Contingência, da Comissão Coordenadora do Programa Ano 2000, cujo a coordenação foi
atribuído ao Ministério da Defesa até 30.10.1999 concluído;
- aprovação do Plano Nacional de Contingência pelo Senhor
Presidente da República até 30.10.1999 concluído;
- elaboração e implementação do Plano de Comunicação Ano
2000, vinculado ao Plano Nacional de Contingência até 31.12.1999 concluído;
- teste e treinamento dos planos de contingência e do Plano
Nacional de Contingência até 15.12.1999 concluído;
- implementação do Plano Nacional de Contingência de
15.12.1999 até 05.01.2000 concluído e de 25.02 até 03.03.2000 relacionado
ao problema do ano bissexto concluído.
Durante os dois anos de implantação do
Programa Ano 2000, o Governo Federal, coordenado pela Comissão Coordenadora, executou
cerca de 700 projetos de adequação. Foram aplicados nos trabalhos de preparação para o
Ano 2000 pela União cerca de um bilhão de reais, pela administração direta e indireta.
Estima-se que o custo global de adequação ao ano 2000 no Brasil setores público e
privado tenha alcançado de dez bilhões a doze bilhões de reais. Foram elaborados 80
planos de contingência conforme determinado pelo Decreto de 27.07.1999, referentes a 37
processos críticos, em 16 setores impactáveis pelo fenômeno do ano 2000. Foram
apresentados 260 Declarações de Conformidade ao término do projeto de adequação
Portaria MP 139/99.
A premissa estabelecida na condução do
Programa Ano 2000 é a de que o fenômeno do bug atinge potencialmente a continuidade dos
negócios das organizações e, por isso mesmo, não é apenas um problema relacionado às
suas áreas de informática. Assim, o Programa Ano 2000 focou o Estado como prestador de
serviços à sociedade e como provedor de soluções para os seus próprios negócios.
Diante disso, estabeleceu um mapa de processos críticos à manutenção dos serviços
essenciais à população e da normalidade da vida nacional, dentre os quais destacam-se
Energia, Telecomunicações, Petróleo, Saúde, Transportes, Sistema Financeiro,
Previdência e Governo.
A situação das adequações ao ano 2000
em grande parte dos setores críticos, segundo informações colhidas junto as agências
reguladoras ou supervisoras Banco Central, ANATEL, ANEEL, ANP, DAC e DEPV etc., indicaram
o término dos trabalhos substantivos de adequação ou substituição de sistemas
informatizados e de equipamentos contendo sistemas embutidos. Estes setores continuaram
realizando testes integrados e haviam elaborado seus planos de contingência antes do
período considerado crítico. Certas áreas do abastecimento interno saúde,
pequenas e médias empresas, transportes urbanos e interurbanos de passageiros e de carga,
saneamento e abastecimento de água e serviços públicos estaduais ou municipais ,
no entanto, pela impossibilidade institucional de uma intervenção direta, indicavam não
ter saído da fase de adaptação. Cumpre ressaltar que a Comissão Coordenadora, e o
próprio Ministro de Planejamento, Orçamento e Gestão, reiterou diversas solicitações
de informações a estes setores, nem sempre com os resultados desejados.
O Centro de Operações Ano 2000, instalado
no Ministério da Defesa para a execução da coordenação prevista no Plano Nacional de
Contingência, dotou os técnicos dos 16 setores compreendendo 37 processos
considerados críticos em relação ao bug do ano 2000 telecomunicações, eletricidade,
petróleo, gás, transportes ferroviários e rodoviários, saúde, previdência, fazenda
nacional, financeiro, serviços públicos, segurança pública, segurança nacional,
agricultura, internacional e comunicação institucional com as facilidades de uma sala de
situação e coordenação. Este Centro de Operações também contou com meios de
comunicação internos e externos confiáveis, durante os períodos críticos observados
no Plano Nacional de Contingências. Centros regionais, espalhados por 07 capitais e
replicados em outras instâncias de maior preocupação e criticidade, foram operados em
cooperação entre as Forças Armadas e os órgãos públicos que deles necessitavam
atingindo, desse modo, cerca de 95% do território nacional. O papel do Ministério da
Defesa não foi o de substituição das ações reparadoras de eventuais falhas mas o de
garantir comunicações independentes, pois, na pior hipótese, se houvesse falha geral
nas telecomunicações, os Centros de Operações estariam providos de meios básicos para
comunicar-se com outras regiões. Dessa forma, os responsáveis pelos setores contaram com
os meios adequados para poder tomar decisões baseadas em informações confiáveis
advindas de seus pares em outras regiões.
Acessoriamente, as Forças Armadas estavam
de prontidão para prover o apoio logístico necessário para o deslocamento tempestivo e
eficaz de meios que permitissem o pronto restabelecimento de serviços essenciais. Além
disso, estavam instruídos institucionalmente a auxiliar as autoridades civis
constituídas nas esferas federal, estadual e municipal na manutenção da ordem pública
e o patrimônio público, se para isso forem demandadas.
Outra grande preocupação encampada pelo
governo estava relacionada à comunicação social. Foram colocados à disposição das
autoridades, incluindo os senhores Ministros de Estado e o senhor Presidente da
República, os meios e dados confiáveis para tranqüilização da população até a
passagem do período crítico.
A Comissão, através da Secretaria de
Comunicação de Governo da Presidência da República orientou aos órgãos, entidades e
empresas da União para se preocupar principalmente com a comunicação preventiva, com
vistas a evitar boatos, especulações negativistas, notícias infundadas ou condutas
inadequadas que poderiam levar alguns serviços ao caos antes mesmo dos períodos
considerados críticos pelos especialistas. Neste sentido, agências
reguladoras/supervisoras, como a ANEEL e o Banco Central, anteciparam progressivamente a
discussão do tema com a sociedade evitando, dessa forma, comportamentos que levassem à
concretização das falhas por sobrecarga dos serviços. Dessa forma, os planos de
comunicação dos órgãos, entidades e empresas foram vinculados aos planos de
contingência.
A Comissão Coordenadora, com o objetivo de
minimizar potenciais prejuízos advindos com a manifestação de problemas relacionados ao
bug, orientou a todos os setores para continuar os trabalhos de adequação até que todos
estivessem concluídos. Todos também foram aconselhados pela Comissão a treinar a
implantação dos planos de contingência, mesmo nas áreas em que os trabalhos de
adequação já tivessem sido concluídas. Para as situações de não adequação,
insegurança quanto a adequação ou impossibilidade de criação de mecanismos de
garantia de confiabilidade, o poder público não poderia se furtar ao papel institucional
de orientar a população. A comunicação, em todos os momentos, constituiu peça
essencial para a credibilidade da sociedade nos trabalhos que vinham sendo executados e,
principalmente, nas providências tomadas.
Outra ação preventiva elaborada foi a
determinação de um conjunto de orientações e normas para evitar ataques de
"hackers", "spams" e "pichadores eletrônicos" durante o
período crítico na virada do ano.
No período crítico de execução do Plano
Nacional de Contingência 10:00 h. de 31.12.199 a 18:00 h. de 04.01.2000 foram mobilizados
cerca de 5.000 cinco mil técnicos e pessoal administrativo para os turnos de plantão e
sobre aviso, em cerca de 150 centros de resposta ano 2000 regionais e locais em
organizações militares. Estima-se que outras setenta mil pessoas dentro e fora do
Governo nos serviços públicos essenciais saúde, segurança, telecomunicações e
energia também estiveram mobilizados. Juntos com técnicos do setor privado, estima-se
que o contingente de plantão tenha atingido cerca de trezentos e cinqüenta mil pessoas.
Somente no Centro de Coordenação Geral do Ministério da Defesa foram credenciados 250
duzentos e cinqüenta técnicos, porta-vozes e funcionários de apoio administrativo.
Durante o mesmo período estima-se que a
Agência de Notícias estruturada pela Radiobrás (incluindo estúdio de TV e estação de
rádio) no Centro de Coordenação Geral do Plano Nacional de Contingência tenha
produzido ao redor de 30 notas de imprensa, convocado 15 coletivas de imprensa com a
presença de membros da Comissão Coordenadora do Programa Ano 2000 e organizado outras 20
coletivas setoriais em transporte aéreo, bancos, tecnologia da informação,
previdência, telecomunicações, energia, saúde e outras. Os membros do Centro de
Coordenação Geral participaram de dezenas de entrevistas e gravações para meios
televisivos, durante a fase crítica da passagem de 31.12.1999 para 01.01.2000. A
cobertura jornalística das atividades do Centro proporcionada pela Radiobrás gerou cerca
de 50 horas de programação de rádio e 20 horas de TV dedicadas a explicar o fenômeno
do bug e esclarecer os preparativos governamentais. Foram produzidas mais de 250 matérias
jornalísticas neste período.
Buguinho de 29 de fevereiro de 2000
Para completar as ações estabelecidas no
Plano Nacional de Contingências, e qualificadas como críticas pelos especialistas, foi
reativado o plantão durante os dias 28 e 29 de fevereiro do ano 2000. As atividades
relacionadas ao bug de 29.02.2000 pode ser assim resumidas:
- Reunião da Comissão Coordenadora do Programa Ano 2000,
realizada no dia 21.02.2000;
- Reunião de orientação setorial no dia 22.02.2000 no
Ministério da Defesa, realizada com os técnicos dos Ministérios do Planejamento,
Orçamento e Gestão, da Fazenda (incluindo o Banco Central e Banco do Brasil), da Saúde,
das Comunicações (incluindo ANATEL), de Minas e Energia (incluindo ANEEL), dos
Transportes e a Secretaria de Comunicações do Governo da Presidência da República -
SECOM (incluindo a Radiobrás);
- Treinamento e teste de comunicação do Centro de
Coordenação Geral do Ministério da Defesa e nos Centros Regionais e Locais, no dia
24.02.2000. Nesta ocasião foram feitas diversas operações e checagens nos sistemas de
monitoramento e de comunicações, com diversos centros fora de Brasília;
- No dia 28.02.2000, o plantão começou às 9 horas da manhã
com as comunicações sendo liberadas a partir das 10 horas para os técnicos militares.
Os representantes técnicos dos diferentes setores estiveram de plantão das 18 horas de
28.02 até as 02:00 da madrugada do dia 29. Não participaram deste período os técnicos
da Fazenda, Banco Central e Banco do Brasil, de acordo com o Plano estabelecido pelo
Ministério da Defesa;
- Durante o dia 29.02.2000, o plantão foi reiniciado às
10:00 e se estendeu até as 18:00 para todos os representantes setoriais. Os técnicos da
Fazenda, Banco Central e Banco do Brasil fizeram, durante o período, o monitoramento e
checagem do movimento da compensação. Os representantes do Ministério das Minas e
Energia e a ANEEL, acompanharam com especial interesse a variação no pico de energia, em
função do término do horário de verão do dia 26 para 27.02.2000.
Os eventos verificados ao redor do mundo
foram os seguintes:
País |
Setor |
Problema |
Brasil |
Saúde |
Falha em
sistema de marcação de consultas no ambulatório em hospital público em Palmares (PE) |
Japão |
Financeiro |
Falha em 1.200
ATMs dos Correios (2% da rede) |
| |
Meteorologia |
Calendário
avançado para 01.03.2000 ao invés de 29.02.2000 |
Holanda |
Meteorologia |
Calendário
atrasa divulgação de boletins |
Bulgária |
Identificação |
Sistema de
passaportes falha e emite documentos datados de 29.02.1900. |
Recomendação para encerramento dos
trabalhos
Terminadas as atividades substantivas
relacionadas ao bug do ano 2000, com a passagem da data do ano bissexto (29.02.2000),
cessa a necessidade da manutenção de uma Comissão para coordenar e articular as ações
do Governo Federal. Dessa forma, propõe-se o encerramento do Programa, bem como a
extinção da Comissão Coordenadora.
Com o encerramento das atividades da
Comissão Coordenadora, o endereço eletrônico da Comissão Coordenadora http://www.a2000.gov.br será desativado no dia
31.03.2000. A manutenção das principais informações ao público será feita por meio
de ícone localizado no endereço eletrônico http://www.redegoverno.gov.br.
Além do presente relatório, foi preparado um sumário histórico do Programa Ano 2000,
na forma de CD-Rom, que estará à disposição do público a partir do mês de março.
Além disso, a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação prestará quaisquer
informações adicionais a respeito do Programa Brasileiro Ano 2000, desde que formalmente
solicitada.
Brasília, 17 de março de 2000
MARCOS
OZORIO DE ALMEIDA
Secretário Executivo Adjunto |
SOLON LEMOS
PINTO
Secretário Executivo |
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